Atresia de Esôfago

Atresia de Esôfago 2017-06-27T13:49:54+00:00

Project Description

A atresia de esôfago (AE) é uma afecção congênita caracterizada pela interrupção do desenvolvimento do esôfago. Durante a 3º e 4º semanas de gestação a porção cranial do intestino primitivo, por meio da formação de um entalhe lateral que, conforme seu desenvolvimento, vai dividindo formando anteriormente a traquéia e posteriormente o esôfago.

A incidência de AE varia de 1:2500 a 4500 nascidos vivos. Estudos populacionais mostram uma discreta predominância de AE no sexo masculino com uma taxa de 1,2 sobre o sexo feminino.

A chance de ocorrência de AE é maior em fetos na primeira gravidez, nas gestantes com idade avançada, com diabete melito e naquelas sofreram exposição prolongada à droga tais como contraceptivos orais e talidomida).
Anomalias cromossômicas ocorrem em 6,6% dos portadores de AE, sendo as mais conhecidas as síndromes de Patau, Edward e Down, respectivamente trissomias dos cromossomos 13, 18 e 21. A AE é acompanhada de 40 a 57% dos casos de outras malformações investigando 253 neonatos encontraram 122 deles (48%) com malformações, encontrando ao todo 213 malformações sendo 29% cardiovasculares, 14% anomalias anorretais, 14% geniturinárias, 13% gastrintestinais e 10% de associação de VATER ou VACTERL.

Atresia de Esôfago

NA FOTO DA ESQUERDA OBSERVA-SE ESTRUTURA NORMAL, COM TRAQUÉIA (T) SEPARADA DO ESÔFAGO (E). À DIREITA,A TRAQUÉIA COMUNICA-SE COM O ESÔFAGO PELA FÍSTULA TRÁQUEO-ESOFÁGICA (FTE). G É ESTÔMAGO. (MODELOS EXPERIMENTAIS DE FETOS DE RATAS)

Atresia de Esôfago

A incidência das malformações cardíacas, maior responsável pela mortalidade das AE, varia de 11 a 44%. Os defeitos do septo ventricular, a tetralogia de Fallot e a coarctação da aorta são as malformações cardíacas mais freqüentes.

Radiografias simples de tórax antero-posterior (A), mostrando imagem de ar ao nível das Clavículas, sugestiva de diagnóstico de AE proximal. Em B, com a utilização de meio de contraste iodado hidrossolúvel não iônico confirma-se o diagnóstico de AE proximal. Em (C) evidencia-se presença de ar no abdome (estômago), determinando o diagnóstico de FTE distal.

Diagnóstico

No período pré-natal o feto portador de AE pode ser identificado à ultra-sonografia por apresentar diminuição ou ausência da bolha gástrica, associado à presença de polidrâmnio (aumento do líquido amniótico). Ao nascimento, o diagnóstico de AE é feito na sala de parto pelo Neonatologista devido à impossibilidade de progressão da sonda oro-gástrica, sendo a manifestação clínica mais comum do diagnóstico a excessiva salivação (D), presente nas primeiras horas de vida.

Quando não é diagnosticada na sala de parto, a AE pode provocar tosse, cianose, dispnéia e sufocação e/ou aspiração de leite no início da alimentação .
O diagnóstico radiológico de AE pode ser feito pela colocação de sonda oro-gástrica injetando-se 2 ml de ar com o intuito de promover pequena dilatação na porção atrésica proximal do esôfago, que é demonstrado à radiografia simples de tórax na incidência antero-posterior (Figura A).

Se ainda houver dúvidas tanto no diagnóstico de AE quanto à localização do coto proximal do esôfago, preconiza-se a injeção de 0,5 a 1 ml de contraste iodado hidrossolúvel não iônico pela sonda, com objetivo de se evidenciar a porção proximal atrésica (Figura B). A radiografia simples de tórax e abdome na incidência antero-posterior ainda auxilia na verificação da existência de ar no abdome, indicando que existe comunicação da árvore respiratória com o trato digestivo (Figura C).

Atresia de Esôfago

Tratamento

O tratamento da AE consiste na reconstrução do trânsito do tubo digestivo por meio da união, por sutura simples, das duas extremidades do esôfago, isto é, da proximal atrésica (E) com a distal, que pode estar em comunicação com a traquéia na maioria dos casos (FTE – fístula traqueo-esofágica). Click aqui para ver a classificação de Gross para os diferentes tipos de atresia de esôfago.

O abordagem do esôfago e traquéia, na região do tórax chamada mediastino posterior, é feita por meio de incisão de toracotomia posterior direita, na borda inferior da Escápula, na altura do 5º espaço intercostal (incisão de Marchesi).

Esta é uma cirurgia que requer profissional da Cirurgia Pediátrica e Anestesista experientes, e um serviço onde haja uma Unidade de Terapia Intensiva especializada em recém-nascidos, em especial, os cirúrgicos.

ATRESIA DE ESÔFAGO TIPO C DE GROSS.

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FOTO DO POSICIONAMENTO DO RN E LOCAL ONDE SERÁ FEITA A INCISÃO

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FOTO DA SUTURA ENTRE AS DUAS BOCAS DOESÔFAGO (INTRA-OPERATÓRIO).

FOTO DO FINAL DA CIRURGIA, MOSTRANDO INCISÃO COBERTA POR DERMABOND R. UM POUCO ABAIXO ESTÁ O DRENO DE PENROSE, QUE VAI ATÉ PRÓXIMO DA ANASTOMOSE.

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FOTO ESQUEMÁTICA, MOSTRANDO SUTURA ENTRE AS DUAS BOCAS (ANASTOMOSE) E A SONDA QUE PASSA ATRAVÉS DELA EM DIREÇÃO AO ESTÔMAGO.

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FOTO MOSTRANDO ASPECTO DA CICATRIZ 10 MESES DEPOIS DA CIRURGIA.